"O barulho é a tortura do homem de pensamento" (Schopenhauer)

domingo, 10 de abril de 2011

Lars Ulrich (Metallica) talks about hearing loss

No seguimento do post sobre Músicos, apresento um vídeo onde o baterista dos Metallica fala sobre perdas auditivas.



quarta-feira, 6 de abril de 2011

Músicos de Rock: profissionais em risco

O ruído é um dos principais agentes físicos presentes nos ambientes de trabalho pelo que se torna um dos maiores focos de atenção por parte dos profissionais de higiene e segurança da saúde do trabalhador.

Todos os sons têm potencial de serem descritos como ruído, pois a classificação de ruído trata-se de algo subjectivo, sendo a sua distinção referente ao facto de ser ou não desejável. Todavia, a denominação ruído é utilizada para descrever um sinal acústico aperiódico, originado da superposição de vários movimentos de vibração, com diferentes frequências, as quais não apresentam relação entre si.

A música é considerada como um som agradável. Sons prazerosos (como a música) são menos perigosos do que os sons não desejados (como o ruído industrial), mas não deixam de ser um factor de risco para perdas auditivas.

O estudo de Pfeiffer, Rocha, Oliveira & Frota (2007) tem como objectivo verificar a mudança temporária do limiar de audição em músicos durante um concerto de rock. Foram avaliados seis músicos, componentes de uma banda de rock, do sexo masculino, com idades variando entre 20 e 30 anos. Constatou-se que a exposição a elevados níveis de pressão sonora leva à ocorrência de certos efeitos físicos, como a insónia após o trabalho, a perda auditiva temporária e aparecimento do zumbido, apontados pelos músicos da amostra do estudo após o concerto.

Em 2004, foi estudada a diminuição da audição em DJ’s, por meio da audiometria tonal e da aplicação de um questionário. A pesquisa foi realizada com o objectivo de constatar a mudança temporária de limiar desses profissionais após uma noite de trabalho. Comprovou-se que estes profissionais devem ser inseridos no grupo de trabalhadores com risco de perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados.

Nesta pesquisa, foi possível encontrar uma diferença estatisticamente significante dos níveis mínimos de audição antes e após o concerto. Tais diferenças revelam que a configuração das perdas auditivas induzidas por música aparenta uma alteração primária nos limiares entre 3000 Hz e 6000 Hz. Assim, compreende-se que os músicos podem apresentar mudanças temporárias de limiar auditivos, isto é, a alteração do reflexo acústico e redução na capacidade das células auditivas captarem e decifrarem a energia sonora que as atinge. Esta situação, a longo prazo poderá tornar-se numa perda auditiva induzida por ruído (PAIR), podendo verificar-se lesões que afectem algumas ou mesmo todas as estruturas do aparelho auditivo.

Por estas razões, os músicos devem ser considerados profissionais de risco para perda auditiva ocupacional. Sendo a perda auditiva ocupacional irreversível, mas passível de prevenção, torna-se necessária a divulgação desta informação entre estes profissionais.

Embora este estudo tenha sido feito com um número restrito de músicos, focando apenas um determinado tipo de música, considera-se que foi um passo na compreensão desta temática. Apesar disso, é necessário realizar mais pesquisas com uma amostra maior e envolvendo outras modalidades musicais.


Texto reduzido e adaptado a partir de:

Pfeiffer, M.; Rocha, R.; Oliveira, S.; Frota, S. (2007) Intercorrência audiológica em músicas após um show de rock. Revista CEFAC vol.9 no.3 São Paulo

Imagem acedida em:

http://assets.bizjournals.com/denver/blog/broadway_17th/2010/11/GuitarRockConcertWeb*275.jpg?v=1

domingo, 3 de abril de 2011

Dependência do ruído!


Exposição constante a sons altos pode levar à dependência

Buzinas de carros, prédios em construção, aviões a rasgar os céus, pessoas a falarem alto, máquinas em funcionamento. Este costuma ser o retrato sonoro de grandes centros urbanos onde vigora o excesso de barulho.

Porque será, então, tão comum ver os moradores desses centros urbanos fugirem ao silêncio? Seja no som do carro, no bar/discoteca ou no leitor de MP3, muita gente procura precisamente estar rodeada de som. A explicação para o paradoxo passa por estímulos químicos. Segundo alguns especialistas, da mesma forma que o exercício e o chocolate, o som liberta no organismo substâncias que geram prazer. O que pode mesmo levar a que algumas pessoas se tornem dependentes de barulho.

Um ruído de 55 decibéis (nível de uma conversa normal) já dá início a um aumento na produção de noradrenalina, afirma Fernando Pimentel-Souza, doutor em psicofarmacologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Por volta de 80 decibéis (equivalente ao ruído de tráfego intenso), tem início a libertação de endorfina. O problema instala-se quando a exposição constante a esses estímulos leva a um quadro crónico.

"A endorfina é analgésica, suprime a dor, suprime a punição que a pessoa sofre, e isso é condicionante de comportamento. Quanto à noradrenalina, ela é prazerosa, o que leva a pessoa a repetir esse tipo de comportamento. Esses mediadores químicos provocam activação cerebral e combatem a depressão nervosa. Quando a pessoa vive num ambiente barulhento, ela está a ser estimulada artificialmente de forma constante e, ao se privar desse barulho, tem a sensação de depressão. Ela fica dependente do barulho que, de certa forma, age farmacologicamente no organismo", explica.

Os neurotransmissores, incluindo a endorfina, são necessários para a passagem do som pelas células nervosas, afirma Luiz Carlos Alves de Sousa, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia. "O prazer é químico. O som dispara um gatilho de sensações boas, e a pessoa fica dependente disso."

O estudante André Mirabeli Sanches, 23, ouvia música no volume máximo, e só assim o som lhe causava prazer. "O cérebro parecia ficar anestesiado." A diversão levou-o a instalar no carro um sistema de som "subwoofer". "Sabe aqueles carros que passam fazendo um bum-bum-bum bem grave? É isso", descreve. O ouvido direito de André não aguentou e aos 20 anos, ele descobriu que tinha perdido parte da audição. O problema veio acompanhado de outro sintoma: a hipersensibilidade auditiva. "É como se os sons chegassem amplificados", diz.

Segundo a fonoaudióloga Eliane Schochat, presidente da Academia Brasileira de Audiologia e professora da USP (Universidade de São Paulo), a hiperacusia acomete a maioria das pessoas com perda auditiva de origem coclear (cóclea é a parte anterior do labirinto).

Devido à hipersensibilidade, André pegou o hábito de tapar os ouvidos com as mãos ao andar nas ruas, além de usar protetores de borracha. O problema afectou o contacto com os seus amigos, pois a diversão está geralmente associada a barulho. "Após o trauma, a vida social ficou difícil. Meus amigos chamavam para a balada, e eu inventava desculpas para não ir.". Se ele sabia que o som alto poderia levar à perda auditiva? Sim. "Todo mundo sabe, mas ninguém se importa. Até passar por uma situação traumática."

Vício: De acordo com o psiquiatra Aderbal Vieira Jr., co-responsável pelo ambulatório de dependências não-químicas do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da Unifesp, um vício pode ser identificado por dois aspectos: o uso disfuncional de alguma coisa, que tanto pode ser uma droga como um jogo, e a incapacidade de se separar daquilo espontaneamente. "É diferente de quem faz muito alguma coisa, mas pára quando quer."



No fim dos anos 90, pesquisadores norte-americanos mostraram que a música também pode causar vício. A equipe, liderada por Mary Florentine, professora de audiologia na Northeastern University, aplicou a um grupo de 90 pessoas um questionário para saber como estas se relacionavam com música alta -as questões eram adaptadas de um exame para diagnosticar alcoolismo. A conclusão foi que cerca de 10% dos entrevistados tinham, em relação à música, o mesmo comportamento que os alcoólatras têm com o álcool.

O estudo não encontrou relação entre o resultado e a idade dos participantes ou o tipo de música que eles ouviam. Apesar de os adolescentes serem mais associados a barulho, os efeitos do sons no organismo são os mesmos em quase todas as faixas etárias. "Crianças pequenas, abaixo de cinco anos, são mais susceptíveis porque não têm a neuromaturação necessária. Depois dessa faixa etária, é tudo a mesma coisa", afirma Schochat.

Efeito emocional: Para Vieira Jr., a liberação de neurotransmissores é uma explicação insuficiente. "Quando falamos de uma sensação prazerosa com som, não sei se o que está por trás é o efeito físico auditivo ou o prazer estético de uma boa experiência. Acho que se trata menos de um fenómeno fisiológico e mais da mensagem que esse fenómeno passa", diz. Segundo o psiquiatra, "tudo que é prazeroso pode levar a um vício", e quando a pessoa sente que perdeu o controle sobre a situação, o ideal é procurar um terapeuta para o diagnóstico. Algumas pessoas também conseguem restabelecer os limites sozinhas.

O engenheiro mexicano Fernando Elizondo Garza, do laboratório de acústica da Universidad Autónoma de Nuevo Léon, dedica-se ao estudo das funções sociais do som e ressalta que a busca por barulho não é necessariamente um vício - pode ser, diz, até como uma forma de se "proteger" de outros ruídos. Ele cita, por exemplo, que, num local silencioso, sons eventuais como uma buzina podem atrapalhar a concentração. Por isso, há quem adquira o hábito de estudar ou dormir com música: ela gera um fundo acústico que minimiza o impacto dos barulhos do exterior.

O fotógrafo Fernando Contin Pilatos, 28, integra o grupo que só dorme assim. "Já fiz o teste. Não consigo dormir sem o rádio ou a TV ligados", conta.

"Estou certo de que pessoas com esse hábito moram em casas ou bairros onde há muito barulho. Como não podem controlar esses ruídos e têm quase certeza de que não haverá silêncio, preferem dormir com o barulho, mesmo que isso signifique um descanso menor." Além disso, afirma Garza, o som pode ser uma ferramenta de isolamento, como no uso do leitor de MP3, e de aproximação social, como numa festa. Em outros casos, o próprio som pode fazer "companhia".

Independentemente dos motivos que levam à busca por barulho, a exposição a sons altos gera danos. "As pessoas necessitam evitar a exposição ao ruído quando ela não é "obrigatória", como nos momentos de lazer", diz Schochat.Além disso, diz ela, é importante fazer exames anuais para avaliar a audição, da mesma forma como muitas já fazem com a visão.


Informação acedida em:

http://www.vocalis.com.br/saude_vocal/arq/060831_chega_de_barulho.html

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sound level limits for personal music players and mobile phones

CENELEC Technical Committee 108X on ‘Safety of electronic equipment within the fields of Audio/video, Information Technology and Communication Technology’ was tasked to take the execution of the mandate on board. The work was performed by a dedicated working group with representatives and experts from market surveillance authorities, consumer interest organisations, research institutes, certification bodies and manufacturers.

The exercise resulted in the issuing of 2 amendments to already existing standards for ‘Safety of audio, video and similar electronic apparatus’ and 'Safety of information technology equipment', which passed a formal vote by the National Standardisation Committees at the end of 2010.

The approach adopted in the standard is based on a sound level limit of 85 dBA. This is a sound level that is considered to be safe under all reasonable foreseeable conditions of use. There is the possibility however for the user to choose to override the limit so that the sound level can be increased up to a maximum of 100 dBA. In this case the user has to be provided with warnings about the risks which are repeated following each 20 hours of listening time.


After publication of the amendments in early 2011, a transition period of 24 months will follow, during which the standard will be implemented at national level by the publication of national standards. By the end of the transition period, industry should have started to apply the standard to their products.
In the meantime, the working group is expected to continue with the next step of the mandated work, which is the development of "smart" methods of providing protection against excessive sound pressure levels from personal music players based on the measurement of sound dose.

Brussels, Belgium, 2011-02-09
More info here.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Surdez VS problema de audição

Quem tem um problema de audição não é surdo...

“Não é verdade que sou surdo. Eu oiço tudo. É que não compreendo bem as palavras”

Como não se fala de cegueira de um míope, também não se deve falar de surdez a uma pessoa que tem um problema auditivo. O órgão do ouvido é o mais complexo dos 5 sentidos e pode deteriorar-se por diversas razões.

A diminuição da acuidade auditiva (hipoacúsia) não é surdez, nem uma tragédia, tratando-se de um problema que embora não se possa solucionar, pode ser resolvido ou atenuado mais ou menos eficazmente.

Os problemas de audição afectam cerca de 1,8% da população mundial, calculando-se que em Portugal existem quase 500 000 pessoas com este tipo de afecção. Muitas destas pessoas, por preguiça ou pessimismo, vão adiando a decisão de enfrentar o seu problema, que se vai agravando com o passar do tempo. Portanto, ressalva-se, a primeira coisa a fazer é decidir realmente enfrentar o problema séria e serenamente, perspectivando alcançar uma melhor qualidade de vida.

Informação acedida e adaptada a partir de: “O guia Amplifon para a audição”, Lisboa: AMPLIFON

Imagem acedida em: http://www.aparelhosauditivosbrasil.com.br/imagens/perda-auditiva.jpg

sábado, 26 de março de 2011

Ruído VS Produtividade


Todos sabemos que um bom espaço de trabalho é meio caminho andando para que a produtividade e a criatividade flua de forma natural. Deste modo, compreende-se que o ruído nas empresas/indústrias é um tema que tem vindo a ganhar uma crescente preocupação pela parte de quem ocupa posições hierarquicamente superiores (patrões, chefes, supervisores), pois a redução do mesmo reflecte-se no aumento da produtividade.

A produtividade pode ser definida como a reação existente entre a produção (quantidade de produtos produzidos) e os factores de produção utilizados (recursos: pessoas, máquindas, materiais, entre outros). Quanto maior for a relação entre a quantidade produzida com base na quantidade de factores utilizados, maior será a produtividade.


De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o barulho excessivo gera um efeito negativo na indústria, pois leva a um decréscimo na produtividade, especialmente em áreas/tarefas que requerem muita concentração. A exposição a níveis elevados de ruído por um período de tempo prolongado interfere na produtividade, pois tem como consequência a redução da performance e do rendimento de trabalho, verificando-se que o indivíduo apresenta mais rapidamente cansaço, prejudicando o desempenho nas suas actividades.

Estudos demonstram que o excesso de ruído, no ser humano, altera a condutividade eléctrica no cérebro, além de provocar uma queda na actividade motora, reduzindo a capacidade de atenção e concentração com a consequente queda de produtividade. Resultados de pesquisas comprovam que o trabalhados que não é submetido a nenhum barulho fica menos cansado do que aquele que trabalha num ambiente dito normal, pautado por sons ambiente e alguns ruídos e, por outro, lado, após o trabalhados efectuar uma pausa relativamente à exposição ao barulho, há um aumento imediato da produtividade.

Informação acedida em:
http://www.segurancaetrabalho.com.br/download/ruido-luana-medeiros.pdf
http://segurancaesaudedotrabalho.blogspot.com/2009/07/efeitos-do-ruido-para-saude.html
http://animacustica.com.br/home/noticias/42-noticias-anima/205-nivel-de-ruido-reflete-em-produtividade-das-industrias

Imagem acedida em:
http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQBG0txHlV2qpzawrfvgsKeVcmsYCiMe8qCLAmMkZx4xdjW3bicWg

segunda-feira, 21 de março de 2011

Efeitos do ruído na visão

Considerando o ruído como um factor de stress biológico, compreende-se que este afecta todo o sistema fisiológico do ser humano. A maior parte das consequências são passageiras, no entanto, a exposição prolongada a níveis excessivos de ruído tem evidenciado efeitos crónicos. Em experiências recentes, tem-se verificado alterações num outro sentido além da audição, nomeadamente, o órgão visual.


A visão é um conjunto complexo de fenómenos físicos, fisiológicos e psicológicos, resultante da captação das ondas electromagnéticas, conseguindo detectar uma chama de um fósforo numa noite clara a 15 km de distância. A visão humana tende a acomodar-se a qualquer estímulo luminoso e no caso desse estímulo não ser adequado, a visão cria defesas para exercer essa adaptação através de um processo denominado acomodação. O fenómeno da acomodação é feito através da focagem do cristalino, e a sua eficácia diminui com a idade por endurecimento progressivo do mesmo, o que explica as perdas visuais que surgem com o envelhecimento. Aquilo que vemos resulta da dinâmica num conjunto de elementos, nomeadamente, os olhos (órgãos receptores), o sistema óptico do cristalino (responsável pela focagem), a retina (que efectua a projecção a imagem para o cérebro) e o cérebro, o qual nos permite criar a imagem mental propriamente dita.

Quick & Lapertosa (1981), descrevem casos experimentais em que foram demonstradas as influências do estímulo sonoro sobre a visão, manifestando-se por dilatação e motilidade das pupilas. Também Joachim (1996) verificou que perante a exposição em ambientes pautados por um nível de ruído superior a 75 dB, verifica-se a dilatação na pupila. Experiências apontam, ainda, para a diminuição da capacidade de discriminar cores e de percepcionar o relevo dos objectos, além da redução da acuidade visual em contextos pouco luminosos.

Verifica-se, pois, que o ruído é um violento atentado a todo o corpo, e é relevante reflectir que não só a qualidade da audição está em risco, como também a de outro sentido tão fundamental no nosso dia-a-dia: a visão. Usar óculos de sol não chega para proteger os nossos olhos... Usemos protecção auditiva em ambientes ruidosamente violentos!

Informação acedida em:
http://www.prof2000.pt/users/eta/Ruido.htm
http://www.epralima.pt/design/inforadapt/extra/manuais/manual5/page2_3.html
http://www.segurancaetrabalho.com.br/download/ruido-luana-medeiros.pdf

Imagem acedida em:
http://www.ofthepc.com/wp-content/uploads/2010/12/TipsProtectEyesRegularPcUsersOfthepc.jpg