"O barulho é a tortura do homem de pensamento" (Schopenhauer)
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terça-feira, 26 de agosto de 2014

T-shirt transforma ruído em electricidade (ideal para levar a um festival)

Dois anos depois de ter desenvolvido umas eco-galochas que ajudavam a carregar telemóveis e outros gadgets, a britânica Orange voltou à carga com um novo dispositivo que promove a energia limpa: uma t-shirt que transforma os ruídos em electricidade.

O dispositivo utiliza a tecnologia de filmes piezoeléctricos, normalmente encontrados em altifalantes modernos, para captar o som. A energia sonora passa por uma compressão, com cristais de quartzo, e é transformada em electricidade.

Baptizada de “Sound Charge”, esta t-shirt foi desenvolvida com a ajuda de especialistas em energias renováveis e vem equipada com uma bateria, que armazena a energia. Depois, esta energia pode ser utilizada para carregar os telemóveis e outros gadgets.


De acordo com a Exame Brasil, a tecnologia capta ruídos a partir de 80 decibéis, aproximadamente o barulho de uma rua movimentada. Ainda assim, os locais ideais para a sua utilização são os concertos e espectáculos de música, onde o som é mais alto e, consequentemente, a quantidade de energia gerada também.

Segundo os criadores, quem passar dois dias num festival de música pode obter energia suficiente para carregar até dois telemóveis ou um smartphone. 



Informação retirada de Green Savers

quinta-feira, 31 de maio de 2012

72% of Teenagers Experienced Reduced Hearing Ability After Attending Concert

M. Jennifer Derebery, MD, House Clinic physician, along with the House Research Institute tested teens’ hearing before and after a concert.


The hearing loss that may be experienced after a pop rock concert is not generally believed to be permanent. It is called a temporary threshold shift and usually disappears within 16-48 hours, after which a person’s hearing returns to previous levels. “Teenagers need to understand a single exposure to loud noise either from a concert or personal listening device can lead to hearing loss,” said M. Jennifer Derebery, MD, lead author and physician at the House Clinic. “With multiple exposures to noise over 85 decibels, the tiny hair cells may stop functioning and the hearing loss may be permanent.”

In the study, twenty-nine teenagers were given free tickets to a rock concert. To ensure a similar level of noise exposure for the teens, there were two blocks of seats within close range of each other. The seats were located in front of the stage at the far end of the venue approximately 15-18 rows up from the floor. The importance of using hearing protection was explained to the teenagers. Researchers then offered hearing protection to the subjects and encouraged them to use the foam ear plugs. However, only three teenagers chose to do so. Three adult researchers sat with the teenagers. Using a calibrated sound pressure meter, 1,645 measurements of sound decibel (dBA) levels were recorded during the 26 songs played during the three hour concert. The sound levels ranged from 82-110 dBA, with an average of 98.5 dBA. The mean level was greater than 100 dBA for 10 of the 26 songs.


Following the concert, the majority of the study participants also were found to have a significant reduction in the Distortion Product Otoacoustic Emissions (OAE) test. This test checks the function of the tiny outer hair cells in the inner ear that are believed to be the most vulnerable to damage from prolonged noise exposure, and are crucial to normal hearing, the ability to hear soft (or low level sounds), and the ability to understand speech, especially in noisy environments. With exposure to loud noise, the outer hair cells show a reduction in their ability to function, which may later recover. However, it is known that with repeated exposure to loud noise, the tiny hair cells may become permanently damaged. Recent animal research suggests that a single exposure to loud noise may result in permanent damage to the hearing nerve connections themselves that are necessary to hear sound.

Following the concert, 53.6 percent of the teens said they did not think they were hearing as well after the concert. Twenty-five percent reported they were experiencing tinnitus or ringing in their ears, which they did not have before the concert.

In the most recent government survey on health in the United States National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) 2005-2006, 20% of adolescents were found to have at least slight hearing loss, a 31% increase from a similar survey done from 1988-1994.

“It also means we definitely need to be doing more to ensure the sound levels at concerts are not so loud as to cause hearing loss and neurological damage in teenagers, as well as adults,” said Derebery. “Only 3 of our 29 teens chose to use ear protection, even when it was given to them and they were encouraged to do so. We have to assume this is typical behavior for most teen listeners, so we have the responsibility to get the sound levels down to safer levels.”

Researchers recommend teenagers and young adults take an active role in protecting their hearing by utilizing a variety of sound meter ‘apps’ available for smart phones. The sound meters will give a rough estimate of the noise level allowing someone to take the necessary steps to protect their hearing such as wearing ear plugs at a concert. In addition, Derebery and the study co-authors would like to see concert promoters and the musicians themselves take steps to lower sound levels as well as encourage young concert goers to use hearing protection.

Info accessed at Science Daily

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Festivais, ruído e CHECK-IN

Como frequentadora assídua de festivais, conheço o CHECK-IN há coisa de quatro anos. Os responsáveis pelo CHECK-IN autodefinem-se como um grupo de pessoas que procuram contribuir para uma melhor Gestão de Prazeres e Riscos associados ao consumo de substâncias psicoactivas e à sexualidade. O CHECK-IN intervém em contextos festivos de qualquer tipo, desde festas de música electrónica, festivais de verão, festas académicas etc.

Fiquei sinceramente e positivamente fascinada quando, no Boom 2010, ocorrido no passado mês de Agosto, me deparei com a divulgação de Informações relativas a um novo tema: o ruído! Desconhecia esta vertente de divulgação do CHECK-IN e fiquei motivada para a causa deste blogue, pois considero ser um dos pontos mais importantes a prevenir no seio de eventos festivos como o Boom. Em contrário, e considerando que apenas uma pequena parcela da população está consciencializada para os perigos de ouvir música em alto volume, teremos tendência a sofrer uma degradação gradual do órgão auditivo, e consequentemente, da capacidade de desfrutar o maravilhoso mundo da música, os concertos mais inquietantes e os festivais mais interessantes...


Passo a citar alguma da informação disponíibilizada pelo CHECK-IN:

OUVE BEM…
TÁS A OUVIR!?...
Para quem aprecia a música é muito importante preservar a audição em boas condições para continuar a curtir o som com a mesma qualidade.
Se ouvir música é acima de tudo um prazer, quando o fazemos repetidamente com volumes demasiado elevados passa a apresentar também alguns riscos.
Se frequentemente expões os teus ouvidos a um volume demasiado elevado, o teu sistema auditivo está sujeito a um desgaste demasiado prematuro. Os músicos, dj’s e os frequentadores assíduos de festas estão, por isso, mais propensos à perda de acuidade auditiva.

O risco de perda auditiva pode aumentar consoante:
O volume da música;
A proximidade das colunas;
O tempo de permanência no dancefloor;
Eventuais problemas auditivos anteriores.

Se tens alguns dos seguintes sintomas não hesites em consultar o médico!
Zumbido constante nos ouvidos;
Sensibilidade a ruídos altos;
Dificuldade em ouvir os outros quando existe barulho de fundo;
Sensação de que os outros comem as palavras ou falam demasiado rápido;
Tens sempre que lhes pedir para se repetirem;
Tens sempre que aumentar o volume da TV;
Ouves o telefone melhor com um ouvido que com o outro.
Para evitar chegar ao ponto de apresentar os sintomas acima descritos há que ter certos cuidados ao ouvir música e noutras situações.

Não te esqueças...
Os níveis de som nas discotecas podem chegar aos 120 dB e a margem de risco para os teus ouvidos é de 90dB. 120dB é já considerada margem de dor!
Fica pelo menos a 3 metros das colunas. Dançar junto das colunas aumenta os riscos! Faz pausas de 10 minutos a cada 45 minutos e de 30 minutos a cada 2 horas, em locais onde o som é mais baixo.
O algodão ou bocadinhos de tecido não protegem. Usa tampões! Assim, estás protegid@ mas não deixas de curtir o som.
O cansaço, a desidratação e o sobreaquecimento também aumentam os riscos. Assim já sabes mantém-te hidratado e faz pausas!
Se ouves música com head phones internos evita fazê-lo muito tempo seguido, faz pausas e não abuses do volume. Devido à proximidade com o ouvido, osphones internos causam grande pressão acústica pelo que os externos são preferíveis.
Se trabalhas com material sonoro ou com máquinas ruidosas usa protecção auricular. Além da música outras fontes de perigo excessivo podem ser as viaturas, maquinaria, televisão, jogos, etc.
Fiquem atentos e baixem o volume!

Para mais informações, consultar
http://check-in.apdes.net/quediz/img/checkinews_06.pdf


Força CHECK-IN, continuem o bom trabalho que têm desenvolvido! Os festivaleiros precisam de vocês :)


Imagem acedida em:
http://preditor.mio.co.za/assets/articles/images/resized/12109_resized_blackcoffee300.png

quarta-feira, 26 de maio de 2010

som VS ruído

O som pode ser definido como um fenómeno físico que consiste numa perturbação de um meio material elástico, provocando uma sensação auditiva. É a variação da pressão atmosférica que ocorre dentro dos limites de amplitude e banda de frequência aos quais o ouvido humano responde (Gerges, 1992). Para que o som se propague é necessário a existência de um meio elástico que possa entrar em vibração – líquido, sólido ou gasoso (o ar) –, a uma velocidade uniforme, constante, independentemente da amplitude das amplitudes das vibrações, da sua frequência e da sua forma (Moutinho, 2000).


O ruído é um sinal acústico aperiódico, originado da sobreposição de vários movimentos de vibração, com diferentes frequências que não apresentam relação entre si. Para além de um determinado nível, torna-se incómodo, sendo um obstáculo à compreensão de fala e, consequentemente, à comunicação. Contribui, também para o aumento da fadiga, podendo causar alteração ao nível do Sistema Nervoso e mesmo traumatismos auditivos. Quando o ruído é intenso e a exposição a ele é continuada a mais de 85dB durante oito horas por dia, ocorrem alterações estruturais na ouvido interno, que determinam a ocorrência da PAIR.

O ruído faz parte das rotinas do no
sso dia-a-dia.
Desde a concepção do ser humano que este está sujeito a ser exposto a níveis elevados de ruído, como por exemplo, durante o período de gestação, caso a progenitora trabalhe num posto de trabalho com ruído constante superior a 85 dB, ou, ainda, caso o bebé nasça prematuramente e tenha necessidade de ser incubado, ficando sujeito a níveis de pressão sonora que podem atingir até 130 ou 140dB.

Durante a infância, é comum a criança estar rodeada de brinquedos e electrodomésticos que constituem fontes de ruído, podendo atingir os 100dB. Segundo alguns autores, a entrada na escola, onde a criança permanece em média quatro horas por dia, dita a exposição a uma média de 70dB, podendo atingir até 94,3dB.

Na adolescência, é normal ganhar determinados hábitos de lazer que envolvem, geralmente, uma elevada quantia de ruído, tais como, frequentar bares nocturnos ou discotecas, assistir a concertos, andar de motociclo ou ciclomotor, utilizar leitores de música com auscultadores, entre outros.

Numa fase adulta, a entrada no mercado de trabalho, pode significar passar uma média de 8 horas por dia exposto a ambientes de trabalho com níveis de pressão sonora muitas vezes excessivos, isto é, com mais de 85 dB.

Estes comportamentos tornam-se especialmente perigosos quando se trata de ruídos intensos em exposição prolongada, e quando combinados com outros factores de risco que potenciam os efeitos negativos do ruído sobre a audição, como produtos químicos, vibração, variações de temperatura e o uso de alguns mediacamentos.

Este estilo de vida urbano, nem sempre opcional, leva à incorporação do ruído no quotidiano como se fosse algo natural e, portanto, inofensivo. No entanto, a exposição a ruído intensa e/ou prolongadamente provoca uma diminuição da acuidade auditiva, podendo esta retornar à normalidade, após um período de afastamento do ruído. Por outro lado, em caso de exposição ao ruído de forma súbita e muito intensa, pode ocorrer trauma acústico, lesando, temporária ou definitivamente, diversas estruturas do ouvido.

Actualmente, o ruído é considerado a terceira maior causa de poluição ambiental, ficando quantitativamente abaixo da poluição da água e do ar. Em 1992, no rio de Janeiro, na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento foram apresentados estudos que indicam que cerca de 110 milhões de pessoas estão expostas a ruído de níveis que provocam doenças no ser humano. A perda auditiva, por sua vez, afecta mais de 16% da população mundial.

Bibliografia:

  • Celani, A. C. (1991). Brinquedos e seus níveis de ruído. Revista Distúrbios Comunicação, v. 4, n. 1, p. 49-58;
  • Feldman, A. S. & Grimes, C. T. (1985) Hearing conservation in industry. Baltimore: The Williams & Wilkins
  • França, D. (2000). O ruído presente nas salas de aula em Curitiba: um assunto a ser refletido pelos fonoaudiólogos. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, v. 4, n. 6, p. 65-67;Hartikainen, A. L. et al. (1994). Effect of occupational noise on the course and outcome of pregnancy. Scand J Work Environ Health, v. 20, n. 6, p. 444-450;
  • Hear the world (2010). Towards better hearing, acedido em http://www.hear-the-world.com/fileadmin/media/pdf/en/GB_Hearing_Guide.pdf, a 5 de Maio de 2010;
  • Lacerda, A.; Magna, C.; Morata, T.; Marques, J. & Zannin, P. (2005). Ambiente Urbano e Percepção da Poluição Sonora. Revista Ambiente & Sociedade. V. 8, n.2, p.85-98;
  • Ministério da Saúde (2006). Perda Auditiva Induzida por Ruído (Pair). Brasília: Editora MS;
  • Nurminen, T. (1995). Female noise exposure, shift work and reproduction. Journal of Occupational and Environmental Medicine, v. 37, n. 8, p. 945-950;
  • Organização Mundial de Saúde (1993). Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento do CID-10: Descrições clínicas e directrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas;
  • Silva, L. F. (2002). Estudo sobre a exposição combinada entre ruído e vibração de corpo inteiro e os efeitos na audição de trabalhadores. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.
Pintura de Edvard Munch, intitulada "O grito"